Quantos acertos vale um erro?

Peça para um amigo ou companheiro listar coisas que você faz e ele não gosta. Agora peça para que ele liste coisas boas que você faz. Caso isso acontecesse de verdade e sem dar muito tempo para ele pensar no que colocaria ali, talvez você encontrasse um número maior de itens na lista de “erros” do que na de “acertos”.

Isso porque, muitas vezes e por diversos motivos, o que é ruim marca mais, de modo mais depressa e profundo do que algo bom. Uma ofensa costuma ter mais impacto que um elogio. É só ver o quanto dura a sensação de uma tristeza e decepção, como alguém próximo ter se esquecido de te felicitar no seu aniversário ou outra data importante, e a sensação de alegria por algo que tenha acontecido (como alguém querido te fazer uma surpresa).

O mesmo se repete a muitas ou todas as áreas da vida. No trabalho, por exemplo, experimente cometer alguma gafe em uma reunião de trabalho ou relatório importante para ver se não será criticado mais duramente se tiver um chefe que preste atenção. Agora conte quantas vezes terá que fazer uma série de coisas corretas e até mais do que é pedido até que chame a atenção e receba um elogio ou pelo menos um obrigado diferenciado – nem vamos falar de um aumento salarial.

Talvez, nesse caso, valha a máxima que tanto dizem as mães: “não fazemos mais que obrigação”.

Sem dúvida, cometemos inúmeros equívocos ao longo da vida e temos que aprender a lidar com isso, sabendo quem ninguém é só acerto ou só erro. É normal. Somos seres humanos, mesmo que nos façam buscar sermos melhores que as máquinas, com a menor probabilidade de falha. No entando, no caso das críticas, nem sempre devemos nos deixar abater assim que nos apontam o dedo.

E quantas vezes nem se trata de erros, mas apenas de detalhes que desagradam a quem vê e resolve comentar: “está linda, só esse cabelo/essa roupa/seu nariz/seu peso… que (adicione aqui algo que a pessoa acha que poderia ser mudado e melhorado)” ou “que trabalho maravilhoso, só acho que você podia… (adicione aqui o que a pessoa acha que poderia ser feito de uma forma melhor)”; e por aí vai. É o famoso caçar pelo em ovo só pelo prazer de deixar o outro cabisbaixo.

Nesse mundo cheio de críticos-doutores-em-comentar-tudo é preciso nascer com um filtro em cada ouvido para separar bem o que é crítica construtiva de crítica “invejiva” e “faltadoquefazerismo”- com o perdão dos neologismos. Saber de quem vem, se a crítica é de quem entende do que está falando ou ao menos se importa conosco e de quando a pessoa “só quer dizer que…”. É um exercício a se fazer meio a sangue frio, analisando os fundamentos todos.

Quem não entende nada do que está falando, mas quer dar opinião de qualquer forma mesmo que ninguém tenha pedido conselho algum nem sempre está querendo apenas dar seu ponto de vista e ajudar. Há críticas que vêm vestidas de cordeiro, mas por dentro são lobos que só querem desanimar e, se possível, atacar.

Nem todo erro é erro mesmo e nem sempre um erro vale mais que um acerto. É preciso saber separar trigo do joio.

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