8 coisas que aprendi sendo minha chefe por um ano

Eu gostaria de dizer que essa é a história do ano em que fiquei milionária antes dos trinta, mas adianto que não foi dessa vez. Mesmo assim, se trata de uma história interessante, não sobre quando comecei a empreender, pois isso já tem muito tempo, mas de como foram os primeiros 365 dias trabalhando integralmente em um projeto meu, sendo minha única chefe.

Exatamente um ano atrás eu passava a usar a mesa da sala que raramente servia para refeições como meu escritório. Só um computador, internet, alguns cadernos e uma câmera do lado, pois tem a ver com o que faço.

Naquele momento não tinha empresa ainda, era só eu com mais tempo para trabalhar nos projetos que já tocava em paralelo e algum (pouco) dinheiro guardado. Excitante não é? Sim, mas da mesma maneira que foi desafiador, houve momentos assustadores – adianto.

Novo escritório / New office 🙂

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Ter um negócio não é o mesmo que trabalho remoto

Eu já tinha trabalhado de casa por alguns anos, mas nunca de forma integral em um projeto criado por mim. Era sempre para os outros, com alguma flexibilidade de horário, metas e datas de entrega, mas também data fixa para receber.

Mesmo que seja de uma forma menos tradicional do que bater ponto em um escritório das 9 às 18h, acredite que esse sistema oferece muito mais estabilidade e segurança do que trabalhar no seu próprio projeto. É importante notar a diferença e entender que o risco e desafio são bem maiores quando estamos sozinhos.

Eu sou a única responsável pelo meu sucesso ou fracasso

A principal razão de ser muito mais difícil trabalhar por conta própria é óbvia: no seu negócio, de forma direta ou indireta, tudo depende de você. O capital que você investe, no que investe, no que prioriza, em como cuida da marca, os colaboradores que escolhe para trabalhar com você (sim, porque outra coisa que se aprende é que, dependendo do seu projeto, você irá precisar terceirizar algumas tarefas).

Todo sucesso e fracasso são sua responsabilidade.

Já quando trabalhamos para outra empresa ou pessoa, normalmente temos alguma liberdade de escolha e responsabilidades, mas nem tudo costuma depender só de nós e nem toda sugestão ou ideia é acatada. É quando podemos lavar as mãos e dizer: “bem, eu faria assim, mas  faço como preferir. Você é quem manda”.

Trabalhando sozinho quem manda é você!

É preciso estabelecer metas e prioridades a curto e longo prazo

Ao trabalhar sozinha em um projeto meu, mais do que nunca tive que colocar em prática meu senso de prioridade. No início de um negócio é normal que não se consiga fazer tudo que achamos necessário. Logo, é preciso também elencar as tarefas numa lista de mais urgente para menos urgente e saber que, mesmo um dia tendo 24 horas, não se pode trabalhar em todas elas.

Além disso, colocar algumas metas, nem que seja de clientes, tarefas realizadas ou valores financeiros atingidos até determinado dia é bom para entender a capacidade do negócio e prever seu futuro.

Mesmo que você seja de letras como eu, é bom ter uma noção mínima de números, lucro e prejuízo.

Sobre limitar e respeitar as horas de trabalho

O bom e o ruim de trabalhar sozinho é não ter ninguém te controlando. Por isso mesmo é preciso ter um grande senso de responsabilidade e autocontrole.

No início é normal ou trabalhar pouco, pois acaba-se tendo que lutar contra as sonecas e os episódios da Netflix a um clique de distância, ou então tem que se ter atenção às longas jornadas trabalho.

Acredito que esse equilíbrio é diferente para cada um e também pode haver sazonalidades ao longo de um ano – um mês mais corrido, outro mais tranquilo. É preciso saber aproveitar as vantagens que se tem ao ser seu próprio chefe, sem deixar o negócio morrer porque não se trabalhou o suficiente ou não na hora certa.

É preciso aprender a separar trabalho da vida pessoal

Ao longo deste primeiro ano, bem como em outras épocas que trabalhei remotamente, usei espaços da minha casa para trabalhar. Uma mesa no quarto, na sala, uma almofada apropriada para notebook no sofá, etc.

Já na fase de vida pessoal e profissional que estou decidi que quero separar um pouco as coisas. Alugar um escritório envolve custos extras, mas além desta opção, existem espaços de coworking, a opção de alugar uma casa maior e ter uma área da casa dedicada apenas ao trabalho, etc.

Hoje já quero que o meu quarto e minha sala voltem a ser apenas meu quarto e minha sala e não mais sinônimo de empresa. Ter um espaço diferenciado para isso também ajuda a deixar o ambiente de casa mais leve e o do trabalho mais produtivo.

Além disso, confesso que ao longo desse tempo senti falta de ter um lugar para ir todos os dias (principalmente nos primeiros seis meses, pois estava em um novo país e não tinha muitos amigos para sair depois do trabalho). Já sinto falta também de uma razão real para me vestir bem e não ser aceitável estar de pijama atrás do computador (só de vez em quando, vai).

Creio que o bom da liberdade de trabalhar por conta própria é poder experimentar todo tipo de flexibilidade e até mesmo abrir mão dela quando achar conveniente.

É bom pensar em férias, 13º e aposentadoria

Um mal comum entre freelancers e empreendedores iniciantes é deixar para depois o planejamento de férias, 13º, aposentadoria e tudo que pareça estar longe. O problema é que se você é o único responsável por isso, é preciso se antecipar, ou não poderá reclamar com seu chefe depois – tum tum tzzzz.

É importante se informar e guardar o dinheiro necessário para cobrir essas despesas, vendo seu trabalho como algo sério e que deve realmente prover todos os benefícios de outro emprego qualquer. Nesse tópico inclua também seguros, planos de saúde e outras coisas da vida adulta.

É bom fazer contas de vez em… sempre!

A menos que você já seja rico, o dinheiro que você ganha com seu negócio faz sim diferença na sua qualidade de vida, além do básico: pagar suas contas! Por isso, além de ser saudável para seu negócio, pense em formas de separar seu dinheiro pessoal do dinheiro do negócio para garantir que você não está reinvestindo tudo que ganha e nem gastando todo o lucro do negócio.

Mesmo que todo dinheiro fique em uma conta bancária só, é bom determinar um salário para si próprio, com data fixa de pagamento, e o valor que fica na empresa. Como bem já dizia a canção: “dinheiro na mão é vendaval”.

Vale ressaltar que seja trabalhando sozinho ou para outros, sempre temos que pagar impostos. Por isso, se ver que quer continuar trabalhando por conta própria e quer fazer isso da forma correta, se informe sobre como funcionam as empresas para empreendedores individuais na sua cidade.

No Brasil, por exemplo, há a MEI por menos de 50 reais por mês. Em Portugal existem as faturas-recibos e depois pode-se optar por ter uma unipessoal.

É preciso estabelecer uma data para avaliar todo o cenário e, se for preciso, partir para outra

A primeira coisa que estipulei quando resolvi tentar focar nos meus projetos foi uma data limite para que eu avaliasse se valia a pena continuar apenas com isso ou não. Claro que se é algo que dá minimamente certo, eu não preciso abrir mão completamente e posso continuar a trabalhar nisso mais como algo extra, mas para continuar me dedicando integralmente a isso, obviamente há um certo nível de exigências a serem cumpridas.

Quando atingisse esse limite de tempo, havia diversos fatores que eu deveria analisar, como:

  1. Conseguir me manter financeiramente;
  2. Continuar tendo gosto pelo que faço e
  3. Ver futuro no projeto.

O tempo limite que determinei para fazer essa avaliação seria exatamente um ano após ter começado essa empreitada. Ou seja, estou neste momento e acredito que seja preciso abrir mão de ilusões e vontades nesta hora, a menos que dinheiro não seja algo importante nessa jogada (no meu caso é).

Faz parte do bom gerenciamento de um negócio ver os pontos fracos do projeto e ter certeza se estes são reversíveis e, se não forem, partir para outra.

Agora estou ansiosa para fazer esse balanço e traçar novos horizontes e desafios. Afinal, eu posso estar com o mesmo projeto daqui a 365 dias, mas definitivamente não no mesmo patamar. Eu trabalho é para estar muito melhor – e para me sentir realizada e ryca!

Feliz ano novo!

Obs: semana que vem embarco para minhas férias e em seguida em uma super viagem pela América do Norte. Me acompanhe no meu instagram 🙂

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