As pessoas que simplesmente querem odiar

Com algum tempo de caminhada na internet e de exposição nas redes, essencialmente no YouTube e Facebook, já pude me deparar com alguns denominados haters ao longo do caminho. Pessoas podem ter opiniões diferentes. E devem. Mas por que algumas pessoas simplesmente têm que expôr seus pontos de vista da forma mais odiosa possível? Tem que xingar. Tem que, sem te conhecer, julgar que conhece toda a sua trajetória.

“Você é uma idiota”. “Imbecil”. “Uma filhinha de mamãe que não vê a hora de voltar para casa”.

Essas foram algumas expressões que consigo me lembrar. Da primeira vez isso me tocou. Era meu primeiro “hater” e eu achava que não tinha feito nada para merecer aquilo. Era uma pessoa que leu o primeiro texto que publiquei no Já Fez as Malas, que era carregado de ironia, e por não conseguir entender esse tom decidiu que me conhecia suficientemente para me julgar e me dar os nomes que quisesse. O artigo teve mais de 100 mil visitas em três dias, mas de todos os comentários que recebi, aquele havia me marcado mais. Porque coisa ruim impregna, às vezes mais que coisa boa.

Não que isso seja bom, mas é menos estranho receber uma frase mal educada ou até um xingamento quando você está em meio a uma briga. Mas de alguém que nunca vi, que não me conhece, destilando tanta grosseria e afirmações sem cabimento? Só pensava: mas por quê?

Depois, com o tempo, fui aprendendo a filtrar mais e não me deixar atingir com qualquer crítica. As construtivas me ajudam muito a evoluir e ecoam na minha cabeça, mas de uma forma boa. São como combustível para que eu melhore. Mas as más, as que sei que vêm de pessoas que simplesmente não estavam fazendo nada melhor da vida, tinham internet e um dispositivo com teclado para, sei lá, destilar o ódio em alguém só para não cair no tédio, essas não me afetam mais.

São alguns segundos perdidos na leitura e mais um ou dois no bloqueio. Sim, excluo. Porque se a pessoa não sabe se quer colocar uma crítica ou opinião contrária, não merece nem mais do que isso. Nesta semana recebi mais uma no YouTube de uma pessoa que escreveu primeiro em espanhol e depois em português que eu era uma idiota por ter feito um vídeo em inglês (contraditório, não?). Segundo o argumento dela, se eu sou brasileira tenho que falar apenas português. Não ficar “metida” e começar a falar em inglês. Que era por isso que ela deixar de me seguir.

O conteúdo do vídeo sou eu falando da minha experiência de aprendizado de inglês e compartilhando algumas dicas que me ajudaram a me soltar mais e melhorar minha comunicação (e tem legenda). Por tudo isso sou idiota. Ou não. Enfim. Poderia apenas ter deixado de seguir ou dito apenas que não tinha gostado. Mas não, como sou uma “pessoa virtual”, que meio que não existo, ela quis dizer de uma forma mais ofensiva mesmo.

No entanto, nem tudo ou todos são casos perdidos. Surpreendentemente, o rapaz que quis simplesmente me odiar devido ao primeiro texto do Já Fez as Malas (“meu primeiro hater“), me enviou uma mensagem de áudio no meu Facebook pessoal. Só vi meses depois, mas dizia algo como: “Nataly, sou o rapaz daquele comentário. Estou enviando este áudio para pedir desculpa. Minha mulher conversou comigo e me disse que não é desta forma que se trata uma mulher, que fui muito grosso e que não foi certo o que falei. Realmente tenho uma visão diferente, mas vai ver é porque sou mais velho. Sinto muito mesmo e te desejo sorte com seu projeto”.

Fiquei surpreendida e achei engraçado ao mesmo tempo. Nem sempre há nas nossas vidas essa mulher que nos faz pensar: para que esse ódio todo? Para que essas palavras? Para que dizer isso ou se expressar dessa forma? Mas se você já tiver sido um hater em alguma sessão de comentários do Facebook ou até em um canal do YouTube da vida, convido a repensar essa raiva toda que surge sem motivo e que nos faz virar animais atrás das telas e por meio de teclados: e se fosse pessoalmente, será que diria isso tudo mesmo ou dessa forma? Será que é pra sentir e dizer tudo isso mesmo? E se alguém te dissesse o mesmo?

Ódio virtual só pode ser sentido e só afeta pessoas reais. Robôs e máquinas não foram programados para raciocínios tão pequenos.

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